Rubem Fonseca
Tô gato?
Tô escrevendo para as pessoas empilhadas na cidade enquanto os tecnocratas afiam o arame farpado?
Rubem Fonseca
Tô gato?
Tô escrevendo para as pessoas empilhadas na cidade enquanto os tecnocratas afiam o arame farpado?
(Source: pontogif)
Estilo.
(Source: seolleim)
Autorretrato
Pintura digital
Ela tinha 40 anos mas um corpo de causar inveja em muita menina de 20. (Eu tinha acabado de chegar do Rio em mais uma tentativa frustrada de vingar como ator mas o máximo que consegui foi tomar uma cerveja de madrugada com o sósia do Zacarias na Lapa. Ele vendia uma rifa de geladeira e prometeu me avisar caso aparecesse alguma coisa). Mas como ia dizendo, estava eu mais uma vez na sucursal do inferno, mais uma vez em Jacareí num barzinho de playboy porque era o único aberto naquele fim de noite triste de domingo.
Era época de vacas gordas onde eu tinha algum dinheiro que permitia pedir alguma coisa sem olhar o cardápio:
- 1 uísque e 1 cerveja.
- Qual uísque? – perguntou o garçom.
- Jack.
- Gelo?
- 2 pedras.
No bar uma banda chamada Rádio Galena tocava rock clássico para uma quantidade razoável de pessoas que estavam ali. Pareciam felizes cantando antigos sucessos quando alheio a tudo isso uma mulher de óculos, nem bonita nem feia, me encarava com um olhar de safadeza madura. Ela estava acompanhada de 2 mulheres que cantavam junto com o restante do bar. Ergui o copo de uísque para ela e ela o de cerveja para mim.
Depois do 3º copo de uísque e algumas cervejas chamei o vendedor de rosas:
- Quanto é?
- 8 real.
- 8 REAIS UMA ROSA??? – gritei mais bebado que um gambá mas o som foi abatido pela música.
- Inflação.
- INFLAÇÃO A PUTA QUE O PARIU!!! DOU 5.
- Tá bom.
- Tá vendo aquela mulher de óculos?
- Aham.
- Entrega pra ela, por favor. Diga que fui eu.
- Aquela ali.
- Não, a de óculos!
-Ah, tá.
Deus do céu, se esse vendedor de rosas fosse cupido estávamos fudido.
Quando ela recebeu a rosa gargalhava junto com as 2 amigas. Pareciam ter ganho um Oscar. O vendedor falou alguma coisa no ouvido dela e apontou para mim. Ela me olhou com ternura e sorriu. As amigas me olharam e fizeram cara de nojo.
O bar estava fechando quando restou apenas nossas mesas. Suas 2 amigas foram embora. Era a minha deixa. Acendi um cigarro, peguei a garrafa de cerveja e fui até ela. Não lembro o que conversamos. Só lembro que dávamos boas risadas. Era de madrugada quando deixamos o bar. Acompanhei até sua casa que ficava na mesma quadra. Era uma pequena vila. No portão ela disse:
- Aiai, você é muito engraçado. Foi um bela noite.
- Por que não entramos e continuamos?
- Não posso, amanhã tenho que acordar cedo. Tenho uma cliente as 8 horas. – ela era manicure.
Fiz a PIOR cara de cachorro abandonado, PIOR que do Adrien Brody.
- Tá bom. Mas não vamos fazer nada, hein?
- Claro. – respondi.
Era uma pequena casa bem arrumada. Um quarto que parecia ser uma academia improvisada com esteira rolante uma sala onde estava a cama de casal onde me sentei. Ela deixou a rosa em cima da TV e foi até a cozinha:
- Você bebe vinho?
- Claro.
Na estante tinha um quadro com a foto de um guri. Ela tinha um filho de 10 anos que morava com os avós numa pequena cidade de onde ela veio. Disse que as coisas por lá estavam dificeis, emprego principalmente e que ela conseguiu algo aqui através de uma amiga. Admiro pessoas assim, sempre nos dá uma espécie de “seguir em frente” mesmo parecendo tudo uma bosta.
Tirei o tenis e acendi um cigarro. Ela ligou a TV e serviu um vinho ordinário. Brindamos e parecia que estávamos bebendo vinho importado enquanto assistiamos uma reprise do programa do Serginho Groisman. Ela ria de algo que ele falava enquanto eu exalava a fumaça do cigarro. Depois de um tempo ficamos em silencio sentido a presença um do outro. Apaguei o cigarro no cinzeiro e tasquei-lhe um beijo. Sua respiração era profunda, ofegante. Segurei-a pelos cabelos curtos e comecei a beijar seu pescoço:
- Filha da puta. – ela dizia com os óculos embaçados.
Como na primeira frase desse conto: Ela tinha 40 anos mas um corpo de causar inveja em muita menina de 20. Seios fartos e uma bela bunda. Logo acima da buceta do lado direito tinha uma pequena tatuagem de golfinho. Ela me virou na cama e começou a trabalhar em cima de mim. Seus dentes rangiam de prazer. Seus lindos seios mal cabiam em minhas pequenas mãos. Virei ela de 4 e quando dei a primeira estocada ela disse:
- Cachorro.
A cama fazia um barulho infernal. Um dos vizinhos batia na parede reclamando do barulho:
- VÃO TOMA NO CU!!! Ai, ai, isso, isso, EU PAGO ALUGUEL DESSA PORRA TAMBÉM, CARALHO!!! Hummm, assim, assim, que delícia . – ela gritava e sussurrava enquanto trabalhava nela.
Trepamos a madrugada inteira. Foi lindo. Ela adormeceu primeiro que eu. Apaguei a luz e desliguei a TV. Sob a luz do luar peguei a rosa e coloquei num copo com água na pia e sob esta mesma luz cobri cuidadosamente seu lindo corpo de bruços com um lençol. Dormimos juntos.
Quando os primeiros raios de sol invadiram a pequena sala acordei primeiro que ela. A ressaca era mortal e quando olho para o rosto dela a minha surpresa. Me perguntava se era a mesma pessoa que estava na noite anterior comigo. Incrível o que uma maquiagem faz em algumas mulheres. Seu rosto parecia uma caixa de areia de gato. Parecia que tinha acordado com o Clint Eastwood. Ela esboçou que ia acordar. Virei de lado e fingi dormir. Ela se levantou e deu um peido no caminho ao banheiro. Ouvi uma barulho de tampa de vaso sanitário seguido de uma boa mijada acompanhada de vários e curtos peidos que ecoavam em plena manhã de uma segunda-feira. Depois ela ligou o chuveiro e tomou banho, cantando uma das canções da noite anterior. Acendi um cigarro e esperei.
No portão da pequena vila nos despedimos:
- Tchau, chuchu. Tenha uma boa semana. – ela disse.
- Tchau, baby. Boa semana pra você também e bom trabalho.
- Obrigada.
Ela foi para um lado e eu para o outro. Cortei caminho pela Avenida Davi Lino. O sol atingia meus olhos como faca. Precisava comprar óculos escuros.
Cleber Willian (outono, 2012)
O tempo estava propício para procurar emprego, nublado e frio, apesar de preferir estar em algum quarto na cama com uma mulher debaixo do edredom bebendo vinho, fumando cigarros e rindo um da cara do outro mas para isso era preciso algum dinheiro então peguei 3 currículos e ganhei as ruas de Jacareí.
Era a 4ª vez que tentava esse supermercado que fica na Rua Bernadino de Campos onde consegui apenas uma entrevista no ano passado para estoquista mas nunca tive retorno. Acho que o gerente não vai muito com minha cara. Fui até o balcão de recepção e perguntei para uma funcionária:
- Oi, com quem posso deixar um currículo?
- Comigo mesmo. – comendo um ovo de páscoa com um dos lados da boca e os dedos cheio de chocolate.
- O gerente está?
- Tá mas não sei onde.
- Ok. - saí para procurá-lo.
Comecei pelos fundos do supermercado e andei pelo corredor principal olhando para os 2 lados em busca de algum engravatado com cara de bunda. Não havia muitas pessoas com exceção na primeira sessão, a de frutas. Por que as pessoas gostam tanto de frutas? Dei meia volta e passei pelas cervejas. Tive vontade de chorar. Sem nenhum puto para comprar uma lata. Continuei caminhando quando vejo do lado da recepção um aglomerado de pessoas olhando para o mesmo lugar e com seus celulares filmando e tirando fotos. Em frente uma joalheria, um homem segurava pelo gorro da blusa uma jovem mulher com o rosto pálido que se debatia querendo fugir:
- ME LARGA! VOCÊ TÁ ME MACHUCANDO!
- EU VI VOCÊ ROUBANDO! MICHELE, CHAMA O ROBERTO! – gritava o homem para a recepcionista.
Roberto tinha uns 2 metros de altura e com uma máquina de choque apertava aquela merda para fazer pressão porque se usasse na mulher o outro homem certamente ia levar por estar grudado na moça. Era uma cena triste. Depois de algum tempo o gerente chega e leva a moça para uma sala. O homem que se debatia com ela pega sua bolsa, abre e na frente de uma multidão deixa cair o que tem dentro. Alguns pacotes de bolacha recheada e iorgutes.
Vivemos num tempo onde é mais fácil prender pessoas por roubarem iorgute do que pessoas que roubam milhões em dinheiro. Deixei o currículo com a Michele mesmo. O gerente ia ter um longo dia.
No caminho de volta pra casa, na praça do Rosário, mais um aglomerado de pessoas desta vez bem maior que do supermercado. Um casal tinha sido atropelado. Os policiais ao redor fecharam o transito enquanto esperavam o resgate. Estavam vivos. Ela ajoelhada e ele deitado no asfalto. Era o único olhando para o céu. Parecia satisfeito.
Fui embora. Foi um dia cheio para mim.
Cleber Willian (2012, outono)
(Source: picanaorelatada)
I have never agreed on the four in the morning to put your feet on the ground and try something in life but this time she was choking me more than usual. The public tender for judicial technician was scheduled at 8 am Sunday in Sao Paulo and with changes in traffic Jacareí because of the new road had to catch a bus to get to it, then I woke up before the roosters to sing on the ground hand, put the old backpack and left home at dawn under a light drizzle smoking a cigarette for breakfast. When I passed by the Avenida 9 de Julio has had several cars parked near a bar where you could hear music, carnival and people with some luck (or not) in life, drunk and happy. I followed my direction and oddly enough a guy bike caught my attention:
- Hey, brother, you do not have a cigarette to get me this?
- It is the last but it can get.
- Thanks brother. You is baker?
I kept walking. When I arrived at the bus stop in the square of the Rosary only a man and I enjoyed that cold and lonely night when out of nowhere he gets up and opens a trash picking up what looked like a box Toddynho and leaves.
When the bus arrived and entered it I saw how life was going fast even like it was yesterday. Dozens of drunken teenagers turning the ballad smelling of cheap wine, laughing and remembering what has already been there as well. But time was different.It was my time, my life and went down the road.
In addition to two staff and I, the road was to be a stolid, frowning and more expensive for CDF that would surely give the competition, sitting on the bench and reading a book in her thin-rimmed glasses on a hair half black power square, this guy seemed the embodiment of young Cassius Marcellus Clay Jr., aka Muhammed Ali
(I’ll summarize the story because the beer is running out.)
Cleber Willian, (2012, Fall)
Léo Malet
Tô gato?
Tô fugindo ao esquema típico do romance policial para expressar com mais vigor minha visão de um mundo intrinsecamente mau e do qual não há escapatória?